A Ascensão Skywalker - Crítica Sem Spoilers

O fim da da saga Skywalker merecia mais
Por JK Arna em 20/12/2019 - 10:55
Compartilhe Por Email
A Ascensão Skywalker - Crítica Sem Spoilers O fim da da saga Skywalker merecia mais

A Ascensão Skywalker (The Rise of Skywalker, TROS) tinha a tarefa de não somente fechar a nova trilogia Disney, mas todos os capítulos da saga da família Skywalker. Dito isto deve se perceber que cabia ao diretor J.J. Abrams, além de tomar suas próprias determinações para contar uma estória, olhar para trás e ver que estava condicionado às decisões e fatos relacionados aos filmes anteriores.

 

Nesta tarefa Abrams ainda contou com duas grandes dificuldades: A primeira, e maior delas, Os Últimos Jedi (The Last Jedi, TLJ) de Rian Johnson e o falecimento de Carrie Fisher. Sim TLJ, a peça de ligação entre o início e o fim desta trilogia, foi mais um tranco do que uma transição suave para o fim.  A missão de desenvolver os personagens e encaminhá-los para o passo final da jornada não se mostrou  adequada: Rey, Finn e Poe, que deveriam ter seus laços aprofundados seguiram jornadas separadas; Snoke, a representação do mal absoluto e o impulsionador do conflito contra o bem sempre presente na saga, foi morto; Luke, a nova esperança de uma nova geração Jedi e suposto novo instrutor da poderosa Rey, também morreu. Kylo, tornado Líder Supremo, teve o propósito do seu arco deslocado: de herói caído imerso em conflito diante da possibilidade de redenção, passou a ser Líder Supremo se "tornando" o novo Snoke - embora não tivesse cacife para tal. A Resistência, quase aniquilada, não representava mais ameaça plausível para a Primeira Ordem. Além disso, TLJ, não só não respondeu, mas como não deu pistas para perguntas abertas no Despertar da Força (The Force Awakens): quem seriam os pais de Rey? Também tratou indevidamente questões chave, como o reencontro de Luke e Leia. Não bastasse o cenário descrito, o falecimento de Carrie Fisher limitou as possibilidades do filme, como o possível encontro de Leia e seu filho, Ben/Kylo.

 

 

Restou aos roteiristas J. J. Abrams e Chris Terrio, sem um mestre do mal e sem um mestre do bem, a tentativa de transformar um limão em uma limonada. Eles optaram por “ressuscitar“ Palpatine na tentativa de restabelecerem adequadamente o personagem que assume o manto do mal absoluto ao mesmo tempo que evocariam a lembrança da trilogia clássica e prequels, isso recolocaria Kylo Ren novamente na condição do agente do mal, ainda que não tão resoluto. Resolveram acumular em Leia Skywalker a função de líder da Resistência e, na ausência de Luke, mentora e orientadora de Rey nos caminhos da Força e conselheira para seus conflitos, restaurando um pouco do foco nos Skywalker.

 

E o trio de heróis? Restou fazer com que todas as aventuras que não foram vividas por Finn, Poe e Rey juntos em dois filmes, se acumulassem nas 2 horas e 22 minutos de TROS. Tudo se passa como se fossem fases subsequentes de um game. Eles encontram pistas e, consequentemente desafios e auxílio, para atingirem seu objetivo: destruir a Primeira Ordem assim como a nova ameaça à galáxia comandada por Palpatine. Em meio a isso se desenrola a questão da origem de Rey e sua relação conflituosa com Kylo. Embora em TROS sejam evocados os elementos subjacentes que impulsionam SW como a amizade, o amor familiar, a celebração da liberdade, a luta pelo bem, a execução do filme não o faz tão bem quanto, por exemplo, a trilogia clássica e mesmo O Despertar da Força. A ação se torna um elemento constante e dominante em quase todo filme marcando a sensação de pressa, deixando pouco espaço para se ter um corte de tensões para conduzir a audiência a uma sensação de descanso e então retomada para um clímax final grandioso. Nesta pressa algumas soluções no filme se apresentam preguiçosas ou são convenientemente previsíveis, algumas são pouco verossímeis e outras ficam até sem explicação ou em aberto.

 

 

O final da saga Star Wars, sem dúvida alguma, merecia um final espetacular, para alegrar senão todos, uma grande parcela dos fãs. Infelizmente pesou decisivamente o fato de termos três filmes concebidos sob visões diferentes, de diretores que não conversaram entre si ou não se entenderam criativamente. Ao longo da jornada a Lucasfilm/Disney deu claros sinais de que houve um mal gerenciamento por parte de sua cúpula. Encerrada esta etapa, resta a expectativa de uma nova saga completamente nova. Em janeiro de 2020 serão revelados pela Disney novos planos que ditarão o futuro de SW.

 

Nota: 7,5/10

Mais Notícias de Trilogia Disney

Outras Notícias