Crítica de O Despertar da Força sem spoilers

Temos o Star Wars que esperamos desde 1983?
Por JK Arna em 17/12/2015 - 14:26
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Crítica de O Despertar da Força sem spoilers Temos o Star Wars que esperamos desde 1983?

Se por um lado a trilogia de 1977 – 1983 conquistou milhões de fãs ao redor do planeta devido ao brilhantismo da mente de George Lucas, já não podemos afirmar que a mesma “genialidade” original foi atingida na trilogia de 1999 – 2005. Claro, não podemos dizer que ela não arrebanhou novos seguidores para a saga, mas ao colocarmos as duas trilogias lado a lado, há a nítida impressão que o criador da saga, digamos, perdeu um pouco a “mão” nos Episódios I ao III.

 

Os filmes seguidos de 77 a 83 tinham uma estória a ser contada no qual o efeitos especiais ofereciam um suporte, diga-se de passsagem, revolucionário para a época. Já a sequência de 99 – 05 parece ter sido feita de ponta cabeça: a estória servia de desculpa para o desfile de efeitos visuais de uma tecnologia mais impressionante e que anteriormente não estava disponível. Os roteiros mergulhados na trama política da qual pouca gente queria saber eram recheados de diálogos dispensáveis e personagens rasos. Não foi à toa que uma das figuras mais odiadas do cinema, Binks, surgiu.

 

Com o anúncio de JJ Abrams para dirigir o Episódio VII, o primeiro filme da mais nova trilogia da franquia na fase Disney, as dúvidas começaram a pipocar. O que Abrams, fã de carteirinha da saga, faria? Para nossa felicidade parece que Abrams se enquadrara naquela legião de fãs que viram os filmes de 99 – 05 e ficaram com um gosto decepcionado no coração. Sim, aquilo era Star Wars, mas ao mesmo tempo não era o Star Wars esperado.

 

Aparentemente ciente dos erros da produção anterior, desta vez a nova equipe escolhida de "manda-chuvas" de O Despertar se voltaria novamente às fontes originais. As artes conceituais de Ralph McQuarrie foram revisitadas, Lawrence Kasdan retornou como co-roteirista e os efeitos “práticos” com aliens, criaturas e droids foram retomados. Sets foram construídos e externas foram filmadas; tudo para contar uma nova estória, para o Star Wars esperado desde 1983. E ao familiar som do maestro John Williams enfim veio o alívio. Os fãs podem ficar tranquilos, temos no Despertar da Força o redespertar de Star Wars. Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega), conduzem a trama do filme com química. O dróide BB-8 é um entre os diversos pontos altos do filme, assim como vilão Kylo Ren (Adam Driver) e o ás Poe Dameron (Oscar Isaac). O irônico Han Solo (Harrison Ford) continua tão irônico quanto Chewie (Peter Mayhew) permanece fiel. O novo SW tem humor, é conciso e não perde tempo com firulas e explicações desnecessárias ou complicadas. A Primeira Ordem é o Império e a Resistência é a Rebelião, se alguém quiser saber mais pode recorrer ao livros, quadrinhos e outras obras, simples assim. A ação ocorre de maneira contínua ao longo do filme, sem dar muito descanso ao público, porém não é apressada demais – alguns imaginavam que os 135 minutos do filme poderiam ser curtos. Podemos dizer que o filme é bem resolvido em si mesmo, mas deixa os ganchos necessários para a próxima sequência de maneira elegante e explícita.

 

Mas, sempre temos um mas... Se retornar às origens e inspirações originais foi um grande trunfo, também pode ser considerado um erro do filme pelo seu uso desnecessário. Elementos vistos na trilogia original foram repetidos no novo filme, e não apenas como uma referências, mas como elementos de roteiro. O primeiro e maior exemplo disso é a semelhança da jornada de Rey e Luke, ambos deixam um planeta desértico para uma aventura galática depois de encontrarem um dróide – semelhança que poderia ser evitada, ainda mais em um universo tão rico e criativo como o de SW. Em tempo, me refiro a isso como um possível erro porque o peso deste julgamento inevitalvelmente passa por cada um que vê o filme. Ainda que a sensação do deja vu possa ser desagradável, tudo é executado de maneira muito competente.

 

Pode-se dizer que finalmente temos aquele Star Wars que gostaríamos de ver. Valeu a espera. Ah, claro, os efeitos especiais e visuais também estão ótimos. Que venha Episódio VIII.

 

Nota: 9/10

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