Final da T02 de O Mandaloriano - Com spoilers

Resgatando o heroísmo em Star Wars
Por JK Arna em 19/12/2020 - 20:17
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Final da T02 de O Mandaloriano - Com spoilers Resgatando o heroísmo em Star Wars

Embora SW seja sem dúvida alguma um fênomo cultural, a saga parecia estar perdendo esse encanto e vinha sendo alvo de críticas constantes, controvérsias e desilusão em sua gigantesca fan base. Contudo, sem entrarmos nesse assunto espinhoso, se afirmamos que SW está perdendo ou perdeu algo é preciso definir concretamente o que ela tinha e efetivamente se foi. George Lucas estabeleceu a fundação de sua criação em arquétipos, mitologia, obras cinematográficas clássicas, inovação estilística e uma revolução tecnológica nos efeitos visuais. Claro que Star Wars se valeu de muitos outros recursos, estratégias e obras para manter seu sucesso por décadas e décadas seguidas, como as prequels, séries animadas, o universo expandido (livros e quadrinhos) e colecionáveis.

 

Mas se através dessas décadas nem todas as obras de SW foram exatamente uma unanimidade, é preciso dizer que a última trilogia e o filme solo de Han Solo (com o perdão do trocadilho) fizeram soar um sinal de alerta na Lucasfilm. Além das constantes críticas de sua fan base a Disney foi atingida aonde uma companhia se ressente mais: nas finanças. A trilogia não foi exatamente um fracasso, mas ficou com bilheteria total aquém do esperado, ao contrário de Solo que foi um verdadeiro flop financeiro. Diante deste possível fiasco gerencial, surgiram os nomes de Jon Favreau e Dave Filoni para inaugurar e comandar o que poderia ser uma nova fase em SW.

Incunbidos desta espinhosa missão, Favreau e Filoni sacaram o que havia sido esquecido: os já citados arquétipos, as relações entre personagens contadas em uma história planejada.

 

Ao longo de suas duas temporadas Filoni e Favreau não se apressaram em contar a sua história, se valeram de referências consagradas como a de pistoleiros de antigos faroestes, terror especial, fidelidade/fé a uma crença, códigos de honra, a volta da retórica que a disciplina para o uso da força é indispensável (afinal de contas, se fosse fácil, por que haver uma ordem dedicada e tão restrita ao estudo dela, não?). Nesse caldeirão de diversas referências visuais, cinematográficas e do próprio universo expandido, atualmente relegado ao status de legends (não canônico), eles apresentaram aos fãs um trabalho que readquiriu aquela alma SW que todos nós conhecíamos e queríamos rever.

 

Episódio após episódio a relação improvável do caçador de Recompensas Din Djarin e do pequeno desconhecido Grogu foi estabelecida, ameaçada, fortalecida e cresceu em nosso emocional. E em torno dessa estória aparentemente simples foi construída uma típica e tão batida clássica "aventura em direção ao desconhecido". Em primeiro plano não havia nada grandioso em risco como o destino do universo, mas um compromisso de honra que progessivamente se tornou uma relação paterna, sim paterna, o Mandaloriano acolheu e protegeu a criança assim como ele já havia sido acolhido por uma nova família.

 

Este oitavo episódio dirigido por Peyton Reed (Homem Formiga) e de fechamento desta já excelente segunda temporada foi absolutamente sensacional. Se Filoni e Favreau já impulsionaram a narração desta temporada com a adição de personagens já conhecidos dos fãs, como Bo-Katan, Ahsoka Tano e Boba Fett, e fizeram isto não como um simples fan service sem conexão com a estória, desta vez eles foram mais além.

 

O confronto do Mandaloriano com Moff Gideon foi explicitamente colocado  de uma maneira que os dois personagens não foram enquadrados como simples antagonistas físicos na luta por Grogu, mas também em caráter. O Mandaloriano com sua palavra, e Gideon com sua dissimulação. Para dar fim ao que já parecia estar resolvido, ocorre a reviravolta que recoloca o até então derrotado Gideon em uma vantagem irreversível.

 

Neste momento Peyton Reed utiliza um recurso narrativo magistral, fazendo que os próprios personagens e os próprios espectadores simultaneamente se tornassem testemunhas perplexas do acontecimento mais  emocionante já visto desta temporada: a vinda triunfal de Luke Skywalker respondendo ao chamado da força anteriormente feito por Grogu.

 

Obviamente este choque não pode ser descrito, mas o sentimento de rever o herói empunhando seu sabre verde de maneira tão grandiosa em um momento tão necessário é arrasador para os fãs mais apaixonados de SW. Não bastasse isso, o sentimento cuidadosamente plantado no coração dos fãs da relação de Djarin e Grogu vem à tona na dolorosa e inevitável despedida entre os dois.

 

Agora o pequeno segue com Luke e R2 para prosseguir seu treinamento Jedi e o Mandaloriano, ainda que sem querer, se vê empunhando o Dark Saber, o símbolo máximo da liderança mandaloriana. E assim, com o heroísmo e alma de SW devidamente resgatados, que venha a terceira temporada.

 

 

 

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