Han Solo - Crítica sem Spoilers

Bom ou mau? Nem um, nem outro, muito antes pelo contrário
Por JK Arna em 26/05/2018 - 19:02
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Han Solo - Crítica sem Spoilers Bom ou mau? Nem um, nem outro, muito antes pelo contrário

Todo filme tem um quê para sua existência, ou seja, uma razão que justifique sua produção, seja por apelo do seu público alvo, seja por ter algo adicional e fundamentalmente interessante a ser contado. Quando do seu anúncio uma parcela significativa de fãs se perguntou, "Solo, porquê?".

 

A trilogia clássica em EpIV estabeleceu Han Solo com a tipificação do forasteiro, normalmente acompanhado por um parceiro fiel, que segue seu próprio caminho mantendo-se longe de tudo, mas ele no momento necessário se arrisca para "salvar o dia". Essa figura, em geral, é montada como alguém sem passado ou origem com explicação desnecessária à estória contada. Assim é Han Solo, o personagem cuja aura dentro de SW foi perfeitamente estabelecida sem necessidade de um background ou motivação. Mesmo assim a atual produção se dedicou a explicar o que não necessitava ser detalhado, o encontro com Chewie e Lando Calrissian, o mítico percurso de Kessel e, claro, como ele ganhou a Millennium Falcon. Tudo mesclado em uma única aventura.

 

Não bastasse o ceticismo quanto à concepção, Solo passou por diversas turbulências e dúvidas. Com roteiro de Lawrence Kasdan e  Jonathan Kasdan, o projeto passou pelas mãos de três diferentes diretores: Josh Trank (Poder Sem Limites) que foi dispensado mesmo antes do filme ter seu título revelado, a dupla Chris Miller e Phil Lord (Uma Aventura Lego) e finalmente Ron Howard (Uma Mente Brilhante, O Código da Vinci) que realizou extensivas refilmagens aos “45 do segundo tempo”. Nos bastidores pipocaram rumores de que o ator Alden Ehrenreich, escalado para ser o jovem Han Solo, estaria tendo dificuldade em atuar de maneira similar a Harrison Ford. Por fim houve a substituição de Michael Kenneth Williams por Paul Bettany no elenco.

 

Com todos esses – péssimos – ingredientes, poderíamos concluir que uma potencial receita para o desastre estava formada. Contudo Han Solo, embora não seja um filme excepcionalmente inspirado, entrega um resultado razoável se você souber o que esperar e o que não esperar dele. Também centrado em torno de um roubo, mas ao contrário do precursor da série de  spin-off de Star Wars Rogue One, Solo é mais leve e menos pretensioso, replicando o gênero de um heist movie, ou seja, um filme repleto de reviravoltas onde há um plano elaborado e montagem de uma equipe para o roubo de um item.

 

O filme se baseia principalmente em torno da relação de Han (Alden Ehrenreich) e Qi’ra (Emilia Clarke) que se reencontram anos após sua separação e explora como isso (também) afeta o amadurecimento do futuro contrabandista. Han nesta fase ainda é um sujeito que deseja somente um futuro melhor, porém está prestes a ter seu lado bom engolido pela dureza da luta pela sobrevivência em uma galáxia repleta de desconfiança - e o filme tenta repetidamente deixar claro que isso é mais uma imposição do que uma opção para ele. Apesar do cenário potencialmente sombrio, Solo não teve a pretensão de realizar um aprofundamento mais dramático ou alguma consideração com desdobramento complexo - como a que vemos em Rogue One, aonde a Rebelião é apresentada como uma organização ética e moralmente questionável.

 

Assim o filme segue com um ritmo constante do início ao fim, como se fossem vencidas etapas ou fases para se seguir adiante, com a apresentação sequencial dos personagens entre uma cena de ação e outra. E se por um lado Solo não empolga e não é tão inspirado na narrativa, também não é desastroso. O filme é repleto de referências e situações que nos levam a outros momentos da saga, nisso incluindo até trilha sonora clássica, em um grande fan service. Trilha sonora por sua vez, como nos filmes mais recentes de SW, novamente não se destaca. Mas vale dizer que o restante da produção é extremamente competente no que diz respeito a figurino, efeitos visuais e os já conhecidos aliens “borrachudos” animados.

 

As atuações do elenco de Han Solo são boas, contando com Donald Glover (Lando), Woody Harrelson (Becket), Thandie Newton (Val), Phoebe Waller-Bridge (L3), Joonas Suotamo (Chewie) e Paul Bettany (Dryden). Um ponto que poderia ser o calcanhar de Aquiles para o filme seria justamente o protagonista.  O risco de Alden permanecer à sombra de Harrison Ford era grande, mas felizmente  isso não se realizou. Alden não tenta trazer uma cópia fiel do Han da trilogia clássica, algo que seria muito difícil e poderia ser desastrosamente caricato. Ele segue seu caminho e faz o seu Han, numa atuação que não podemos reclamar “Ei, esse cara não é o Han Solo”,  ele é sim o cara que se tornará o personagem que já conhecemos.

 

A conclusão é que se Han não é um filme para ser intensamente odiado, por outro lado também não deve ser intensamente amado. Ele tem seus altos e baixos e só deve decepcionar se você não souber o que esperar da produção.

 

Nota: 7/10

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